23 ago 2017
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“Disseram que éramos loucos” Chris, em entrevista para a rádio The FAN

Chris Martin, em entrevista para a rádio canadense “The FAN”, falou sobre o investimento do Coldplay na infraestrutura grandiosa dos shows, sobre as duas decisões há 10 anos que mudaram a atitude da banda, e ainda refletiu sobre o caso do cantor Chester Bennington.

A entrevista, realizada ao vivo por Dean Molberg, que revelou ser amigo do Chris, foi ao ar na segunda-feira (21). Dean, que trabalha para a rádio esportiva, ainda explorou as semelhanças entre fazer shows e disputar jogos, a relação com os fãs e o entrosamento da banda no palco. O CMBR traz a tradução exclusiva do bate-papo.

Confira: 

Sobre o show ser tão alegre e a relação com os fãs:

A essa altura, eu penso que depende muito de nós e do público fazermos algo juntos. Muito tempo atrás, decidimos parar de nos preocupar tanto, e apenas nos soltarmos e ver onde poderíamos chegar como banda e ver o quanto poderíamos fazer as pessoas se soltarem também.

Nós recebemos tanta energia da plateia e ficamos muito gratos por estarmos lá, isso é o principal. Nos sentimos livres. Todas as emoções que sentimos na nossa vida cotidiana parecem ser canalizadas nessa celebração. Hoje, na verdade, é o nosso centésimo show. Demorou tudo isso para vir a Toronto, desculpa.

 

Sobre tocar em estádios e em arenas e os paralelos entre fazer shows e jogar para um time:

Sim, é engraçado você dizer isso. Ao longo dos anos, nos tornamos amigos de alguns atletas, e eu acho que percebemos que temos muita sorte, porque, quando tocamos em um estádio esportivo, todos estão torcendo por nós, e é como se a cada 5 minutos fizéssemos um gol, é isso que sentimos.

E ontem à noite, estávamos com um jogador do Cubs, um time de baseball de Chicago, e ele estava nos falando: “Uau, vocês são tão sortudos, porque todo mundo aqui no estádio está basicamente torcendo a favor de vocês, enquanto nós temos metade dos torcedores apenas.”

E eu acho que é equivalente em termos de se preparar psicologicamente para o show e querer entreter a todos, e é para isso, em última análise, que a música e o esporte servem. É um lugar aonde as pessoas podem ir depois do trabalho ou da escola e se sentirem bem. Nesse sentido, eles são muito similares.

 

Sobre como cada show e cada cidade podem ser diferentes:

É uma ótima pergunta. Eu acho que a nossa filosofia é a mesma, independentemente de onde estejamos. Não sei quantas pessoas virão hoje ou amanhã, mas todas essas pessoas se comprometeram a vir, então nós vamos nos comprometer a dar tudo de si, não importa onde ou qual o perfil da plateia no dia, pode ser uma terça chuvosa em algum lugar, ou pode ser um sábado ensolarado na América do Sul, ainda é o mesmo comprometimento de cada membro da plateia, então isso é algo que aprendemos a valorizar. Enquanto que, antigamente, se víssemos alguém no celular, isso nos colocaria para baixo. Agora, eu percebo o esforço monumental que é ir a um grande show. Então, eu não me importo com o que as pessoas fazem depois que entram, nós vamos dar tudo de si.

 

Sobre a escolha das músicas para o setlist:

Nós tentamos estruturar a setlist como se fosse um filme basicamente. Então, tem certos momentos que sabemos que temos que acertar. Temos muita sorte em gostarmos de tocar as músicas que as pessoas querem mais ouvir. Então não tem essa tensão no nosso grupo de “ah, eu queria que não tivéssemos que tocar tal música”. Todos aguardamos ansiosamente pelas músicas com as quais todo mundo canta junto.

O resto disso é como levar os fãs em um jornada e como nos certificar de que o show tenha momentos mais intensos e mais tranquilos, que seja dinâmico, que dê chance para soltar os fogos de artifício e usar as xylobands, todas essas coisas com as quais gostamos de jogar. Então, é uma combinação dessas coisas. Conciliando o que as pessoas querem ouvir, mas organizando de um jeito lento, para que pareça uma história

 

Sobre as xylobands e os recursos como fogos de artifício para tornarem os shows memoráveis:

Se você nos contasse há 15 anos que estaríamos aqui, que esse seria o nosso tipo de plateia, nós simplesmente não acreditaríamos. Nós fizemos, conscientemente, duas coisas há 10 anos. Nós dissemos: “Vamos parar de nos preocupar com a negatividade.” As pessoas que não gostam da gente não vão gostar da gente, ou provavelmente não estarão nos shows, então não vamos nos preocupar com isso, vamos nos comprometer totalmente com tudo o que fazemos, e isso se aplica às gravações e a como nos apresentamos.

A segunda coisa que decidimos é “vamos sempre investir no nosso show”. No sentido de que, nas última três ou quatro turnês, gastamos uma quantidade insana de dinheiro para fazer o show ficar bonito.

Algumas pessoas nos disseram que éramos loucos, mas isso realmente serviu para nos trazer mais alegria na performance, e consequentemente isso é o que nos torna melhores. Então, apesar de eu não ter a minha própria nave espacial, eu realmente acredito que o nosso show é especial. O meu trabalho é tão divertido, eu amo os sons, os assobios, essas coisas fazem eu me sentir bem.

 

Sobre o entrosamento da banda no palco:

O frontman da banda, claro, é quem as pessoas mais conhecem, mas a verdade é que nós dependemos completamente uns dos outros musicalmente. E nós já passamos por tanta coisa juntos que nos sentimos muito sortudos no momento em podermos estar nessa turnê tão prazerosa. E uma das razões pelas quais ela é prazerosa é que estamos todos gratos por chegarmos até aqui e por termos passado por tudo o que passamos, todas aquelas coisas usuais de banda, altos e baixos, depressão, vícios, tudo o que você lê em biografias. O fato de que somos as mesmas quatro pessoas no palco é animador para nós, antes mesmo de começarmos a tocar as notas. Para mim em particular, especialmente em um momento como esse no mundo, uma banda unida me dá fé de que, às vezes, trabalho em equipe pode dar certo.

 

Sobre casos como Chester Bennington e estarmos ouvindo cada vez mais sobre depressão:

Minha primeira resposta para isso é que você não pode saber o que está acontecendo dentro da cabeça de alguém. Você tem que estar enfrentando muita dor para querer se remover do planeta. Por isso que eu empatizo o máximo possível, apesar de que eu sou grato em dizer que nunca me senti assim nesse nível, ou que, se senti, eu recebi a ajuda certa. Então, eu não sei pelo que essas pessoas estão passando.

Mas eu acredito que isso inicia a conversa com jovens ou pessoas de meia-idade que estão passando por isso. De certa forma, isso torna mais aceitável falar sobre a experiência humana. Nós temos sorte em viajar o mundo inteiro. Todos nós vemos fotos de pessoas que não tem o que comer ou beber, e há coisas similares pelas quais os seres humanos passam: questionar por que estamos aqui, se somos merecedores, ou se fizemos algo que nos orgulhe, ou se alguém nos ama. Todas essas coisas são parte da experiência humana. E quando pessoas conhecidas passam por isso, acho que isso abre as portas para outras pessoas pensarem sobre isso, então acho que essa é a melhor coisa que sai de uma situação triste.

Ouça:

Créditos da imagem: Coldplay

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