26 nov 2017
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Tudo sobre o show do Coldplay em Porto Alegre!

Correio do Povo | Reprodução

O último show da turnê “A Head Full Of Dreams” no Brasil ficou para Porto Alegre, no dia 11 de novembro de 2017, reunindo 59 mil na Arena do Grêmio. A energia foi certamente o diferencial na primeira vez em que o Coldplay tocou na cidade, fazendo com que a experiência fosse marcante não só para os fãs, como também para a banda. O show ainda reservou surpresas para os fãs, como a bandeira do Rio Grande do Sul erguida por Chris Martin durante “Every Teardrop Is A Waterfall”, a música “Gáuchos” e o elefante brasileiro que subiu ao palco. Foi o próprio público, no entanto, que surpreendeu a banda com a recepção mais calorosa, segundo o cantor, que a banda já recebeu. A noite parecia especialmente inspirada, e Chris demonstrava estar impressionado com resposta do público, soltando algumas risadas e declarações como “melhor plateia que já ouvi na vida” e “eu quero me mudar para o Brasil”. Foi uma noite em que os gaúchos acreditaram no amor, e o Coldplay acreditou no “gaúcho love”. O CMBR traz a seguir um relato do show, a setlist, vídeos e uma opinião pessoal da integrante Porto-Alegrense da equipe do CMBR.

O tempo foi propício para uma noite mágica, e São Pedro presenteou Porto Alegre com um céu limpo, anunciando o dia que todos estavam esperando. Aliado à grande expectativa por parte do público, composto por gaúchos que esperavam ansiosamente sua chance de ver um show do Coldplay, assim como por brasileiros de todas as partes e estrangeiros que viajaram com o único propósito de fazer parte dessa experiência transformadora que é um show do Coldplay, o clima de ansiedade e de alegria ficou evidente pela atmosfera calorosa com a qual o público de Porto Alegre acolheu o a banda.

Mas antes, os shows de abertura fizeram sua parte para aquecer a plateia. O primeiro foi da gaúcha Tati Portella, ex-Chimarruts, que aproveitou a ocasião para lançar sua carreira solo. O segundo foi da artista pop em ascensão, Dua Lipa, que contou suas novas regras e ajudou os fãs a esquecerem sua ansiedade pela banda por uns instantes, sob o carisma da britânica.

Já a receptividade por parte do público começou a se manifestar antes mesmo do início do show, com a grande adesão dos fãs ao fan action dos balões amarelos, tornando a Arena do Grêmio o estádio mais “yellow” pelo qual o Coldplay já passou. Aproximando-se das 21h, os balões já estavam sacudindo nas mãos dos fãs por todos os setores do estádio, criando uma visão que só foi superada pelas luzes coloridas das xylobands. Na espera que parecia inacabável, cada minuto após as 21h em que o Coldplay não subia ao palco acelerava mais o coração dos fãs, que, antecipando um dos momentos do show, entoaram o “ô ô Ô ô Ô ô” de “Viva La Vida”, provavelmente no exato momento em que a banda se preparava para entrar no palco. E foi com essa manifestação de boas-vindas improvisada do público para a banda, que a música de introdução foi tocada, dando início ao espetáculo, com apenas 17 minutos de atraso.

Logo que as luzes das xylobands se acenderam, a Arena do Grêmio, em momento inédito, vibrou em vermelho, e colorados e gremistas, unidos pelo Coldplay, emocionaram-se com o prenúncio da melhor noite de suas vidas. E foi com as primeiras notas de “A Head Full Of Dreams” tocadas na guitarra do Jonny, que o estádio inteiro ecoou o “Oh I think I landed”, juntando-se à voz já ofegante do Chris, que entrou correndo. Cada fogo de artifício lançado, sincronizado com cada “Oh” da canção, era acompanhado de gritos de emoção. Na segunda parte da música, as luzes vermelhas reacenderam, e foi o Chris quem ficou “lost for words” com o público, o qual cantou em uníssono a parte do “Ô ô ô ô Ô” e superou o poderoso sistema de som, impressionando o vocalista, que deu uma risada e soltou um “yes!”. Na segunda vez, Chris deixou os gaúchos cantarem sozinhos, acompanhados pela bateria do Will, em um dos momentos mais mágicos do show, em que a voz dos fãs a plenos pulmões encheu o estádio de uma energia logo traduzida no verso seguinte: “A head full of dreams!”. Com o pulo do Chris, os confetes em arco-íris foram lançados, e o público seguiu cantando em êxtase até a música acabar, com mais fogos de artifício marcando o final da canção. Estava inaugurada a noite cheia de sonhos.

Já mais treinado no português depois de dois shows em São Paulo, Chris Martin se dirigiu ao público e deu boa noite aos gaúchos e a Porto Alegre. Em seguida, a banda tocou “Yellow”, e os fãs jogavam os seus balões amarelos para cima. No fim da música, os balões foram tantos que o espaço em volta da passarela estava tomado deles e nem os câmeras conseguiam passar, tendo que estourá-los para abrir caminho. Durante a terceira canção, “Every Teardrop Is A Waterfall”, Chris Martin  ergueu a bandeira do Rio Grande do Sul, certamente informado do bairrismo peculiar dessa parte do país, e retribuiu a recepção calorosa aos gaúchos. Enquanto isso, seu pai, Anthony Martin, o mais novo admirador da cultura gaúcha, estava devidamente pilchado, com bombacha e lenço vermelho, assistindo ao show.

Em “The Scientist”, o público recebeu o seu maior elogio da noite. Depois de cantar bonito, no fim da canção, Chris agradeceu a todos por serem generosos com eles e por serem a melhor plateia que ele já ouviu na vida. Ainda falou: “Estamos muito felizes em estarmos aqui. É a primeira vez em Porto Alegre, mas eu não acho que será a última”. Riu e continuou: “Espero que estejam bem aí em cima, lá no fundo e aqui no chão. Estamos muito felizes em vê-los e ser parte de sua família por uma noite. E talvez a gente possa cantar um refrão dessa música juntos, para nos conhecermos melhor”. O público respondeu, cantou e surpreendeu o cantor, que não conseguia parar de rir ao cantar sua parte e fez um elogio em português: “Maravilhoso!”.

Em “Paradise”, foi um elefantinho que roubou a cena, figurando no telão com a sua placa que imitava a do videoclipe. O fã que estava fantasiado de elefante era Thiago Gonçalves, vocalista da banda “Coldplay Cover Brasil”. Em outro destaque da noite, na penúltima música do show, “A Sky Full Of Stars”, Thiago subiu ao palco e dançou com Chris, que tirou a máscara de elefante dele e revelou o seu sósia.

No palco B, antes de “Everglow”, Chris fez o seu discurso agradecendo aos fãs por terem enfrentado o trânsito, o preço dos ingressos, viajado 1304 km, como dizia um cartaz, por sentarem lá no alto, por ficarem de pé na frente. O cantor falou: “Nós viajamos o mundo inteiro, e as pessoas são generosas conosco no mundo inteiro. Mas essa noite em Porto Alegre foi talvez a melhor recepção que já tivemos no mundo. É algo emocionante e incrível. Nossa vida inteira baseia-se em tentarmos nos conectar com pessoas ao redor do mundo e tentar ver todo mundo como uma família só na Terra, e quando viemos para cá, nós apenas sentimos tipo: ‘P*ta m*rda, seres humanos são incríveis, e eu quero me mudar para o Brasil'”.  Por fim, pediu que enviassem “amor gaúcho” para todos que estivessem necessitando ao redor do mundo.

No palco C, a banda apresentou a música em homenagem ao Brasil, que já havia sido tocada no segundo show de São Paulo. Chris falou que talvez o título da música fosse “Gaúchos”, “Paulistanos” ou “Brasileiros”, e que representa o amor deles por nós, e já adiantou: “Não está acabada ainda, mas amamos tocá-la. É tudo porque amamos Tom Jobim e amamos estar aqui”Jon Hopkins foi chamado para o palco e tocou teclado. A letra da música era uma verdadeira declaração de amor ao Brasil: “It’s such a thrill to play in Brazil, cause the people go totally “louco”, I am no fool, I think it’s cool to play a show in Rio Grande do Sul, I wanna play a show today Porto Alegre” (“É tanta emoção tocar no Brasil, porque as pessoas vão à loucura, eu não sou bobo, eu acho legal fazer um show no Rio Grande do Sul, eu quero tocar hoje Porto Alegre”).

Durante o show inteiro, o vocalista não poupou fôlego, pulando de um lado para o outro, alimentado pela energia do público. A estrutura do show também não poupa em fogos de artifício, confetes, balões gigantes e xylobands, que incrementam o visual do espetáculo e trazem ainda mais emoção. Mas, essencialmente, é a banda, sua música e o que ela representa que leva milhares de fãs a enfrentarem todas as dificuldades possíveis para participar dessa experiência coletiva e individual que é um show do Coldplay. Um espetáculo completo que possui um poder transformador, sendo um oásis de positividade em um mundo reforçado por negatividade. E é no Brasil que a banda encontra a maior resposta do público, talvez por causa da nossa atitude positiva em relação à vida, talvez porque gostamos muito de música, mas a nossa paixão e receptividade nunca deixam de surpreender.

Se a última impressão é a que fica, o Coldplay não vai esperar muito para voltar para o Brasil, e, muito possivelmente, esperamos, para Porto Alegre.

Confira:

Show

Setlist

1. A Head Full Of Dreams

2. Yellow
3. Every Teardrop Is A Waterfall

4. The Scientist

5. Birds
6. Paradise
7. Always In My Head
8. Magic
9. Everglow
10. Clocks / Midnight
11. Charlie Brown
12. Hymn For The Weekend
13. Fix You
14. Viva La Vida
15. Adventure Of A Lifetime
16. Don’t Panic
17. Gaúchos (ou Brasileiros)

18. In My Place

19. Life Is Beautiful
20. Something Just Like This
21. A Sky Full Of Stars

22. Up&Up

Por fim, uma opinião mais pessoal desta que vos escreve, Mari,  integrante da equipe do CMBR, enquanto Porto-Alegrense:

A emoção de ver o Coldplay na minha cidade foi diferente de tudo. Tendo ido a 6 shows da banda, aprendi que cada show deles é único, mas o de Porto Alegre foi especial. A noite de 11 de novembro de 2017 trouxe a realização de um sonho compartilhado por 59 mil pessoas, e isso estava estampado na cara de todos com quem eu falava, a grande maioria vendo o show pela primeira vez e precedido por muita antecipação. E, se essa turnê nos ensinou algo, foi sobre o poder dos sonhos. Provavelmente foi toda essa expectativa o que alimentou a noite de uma energia incrível. Para mim, poder sentir a presença da família e dos amigos, espalhados por todo o estádio, conectados por uma experiência em comum e nutridos pelo espírito de união e de alegria que o Coldplay provoca foi o que tornou essa noite inesquecível. Além disso, eu ainda consegui fazer uma surpresa para minha mãe, que estava lá na arquibancada, quando apareci no telão com meu cartaz “Happy BDay Mom”. A sensação da noite foi de intensa gratidão por estar ali, e não posso deixar de mencionar o orgulho de como nós gaúchos recebemos o Coldplay tão calorosamente, transformando o estádio em um lugar de pura energia positiva, o que claramente impressionou a banda. Para mim, também foi a melhor recepção que a banda já teve, dava para sentir no ar e na sinceridade das palavras do Chris. O show dura pouco para o impacto e a repercussão que causa, mas o sentimento de encantamento fica para sempre nas vidas de quem fez parte dessa experiência tão marcante que é um show do Coldplay, e posso dizer que, para mim, Porto Alegre nunca mais foi a mesma.

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